Arquivo técnico
Limpeza da tela e escolha da emulsão  

O filme que se forma na face externa da matriz deverá apresentar boa planicidade e contornos do desenho delimitados com precisão. Somente assim a matriz poderá reproduzir com precisão os contornos dos traços sem imperfeições e sem escorrimento da tinta. De fato, uma camada irregular de emulsão prejudicará a definição da imagem impressa.

A confecção de uma matriz perfeita requer as seguintes fases:

1. Preparação da tela com uso de produto desengraxante;

2. Escolha correta do tipo de emulsão e sua correta aplicação;

3. Secagem da emulsão em câmara de secagem;

4. Acoplamento com o fotolito ou arte final e exposição à radiação luminosa;

5. Revelação da imagem com jato d’água;

6. Secagem final e acabamento.

Limpeza da tela

Antes de aplicar a emulsão, a tela esticada deve ser preparada. Impurezas, poeira, gorduras devidas ao manuseio impedem a aderência da emulsão ao tecido, causam furos ou fazem com que a emulsão se solte da tela durante a impressão.

Para limpeza deve-se usar desengraxantes apropriados para serigrafia. Não usar detergentes domésticos, os quais contém lanolina e ingredientes oleosos que impedem a aderência da emulsão ao tecido técnico.

A limpeza da tela deve ser feita imediatamente antes da aplicação da emulsão, passando energicamente o desengraxante e enxaguando com água para retirar qualquer vestígio deste produto. A tela então deverá ser seca e mantida protegida da poeira e do contato com as mãos até ser emulsionada.

Escolha da emulsão

O tipo de emulsão deve ser escolhido de acordo com o nível de qualidade que se deseja. Emulsões de qualidade modesta podem ser suficientes para trabalhos com traços simples, mas não conseguem gravar fielmente traços finos ou pontos pequenos. Deve-se usar uma emulsão adequada à fonte de luz disponível. De fato algumas emulsões de alta qualidade necessitam de fonte rica em raios UV e não funcionam com lâmpadas simples.

A primeira escolha é feita em relação ao tipo de tinta a ser usada na impressão.

Existem emulsões resistentes a tintas a base d’água e emulsões resistentes a tintas a base de solvente. Outro critério de escolha é pelo ingrediente químico (o sensibilizante para emulsão), usado para tornar a emulsão sensível à luz UV. Existem diversos tipos de sensibilizantes capazes de reproduzir na matriz a imagem do diapositivo (arte final):

Bicromato - É um sal tóxico proibido em vários países. No Brasil ainda é disponível para emulsões com baixa capacidade de definição, porém com alta resistência mecânica. É usado para trabalhos simples sem necessidade de alta definição. A emulsão com bicromato é instável, não conserva por muito tempo suas propriedades; por isso deve ser preparada apenas na quantidade que devemos usar. Uma tela emulsionada com bicromato também deve ser gravada logo após sua secagem.

Diazóica - É sensibilizante bio degradável, tem maior capacidade de reproduzir traços finos com boa resistência mecânica. A porção da emulsão sensibilizada tem maior vida útil que a de bicromato. A tela emulsionada também se mantém sensível até 30 dias, desde que armazenada em boas condições.

Fotopolímero puro - Para profissionais altamente qualificados. Tem alta capacidade de definição e resolução. Necessita, porém de fonte de luz com alta concentração de raios UV (não podendo ser usada com lâmpada comum). O tempo de exposição é curto e deve ser medido com muita precisão, pois sua margem de tolerância é limitada. Alguns segundos a mais causam a perda da gravação. Esta emulsão já vem pré-sensibilizada.

Diazo + Fotopolímero - Combina a qualidade do fotopolímero com a alta tolerância de tempo do diazo. Ideal para trabalhos de alta qualidade que podem ser gravados com fonte de luz intermediária ou simples. Devem ser preparados de uma só vez e conservam sua validade como as diazo (até 30 dias).

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